sol forteA radiação solar mais forte, gerada por degradantes ambientais, como buracos na camada de ozônio e efeito estufa, predispõem a nossa pele à efeitos nocivos, desencadeando reações imediatas como: queimaduras solares e alergias (irritações causadas pela luz). As reações tardias são caracterizadas pelo acúmulo de radiação durante a vida e causam: envelhecimento cutâneo e câncer de pele, consequente de alterações genéticas.

O Brasil é mundialmente conhecido como um país de mulheres com peles bronzeadas que trazem consigo um aspecto sadio. Porém, pelo culto às peles morenas, é muito comum o uso de horários de radiação solar intensa para um bronzeado mais rápido, intenso e duradouro. Há aquelas que ainda procuram as famosas câmaras de bronzeamento artificial, onde são encontrados raios UVA em doses mais altas do que as provenientes do sol.

Como o filtro solar não é usado como deveria e pelo fato dos consumidores usarem menos da metade da dosagem determinada, ou até mesmo esquecerem de usar o filtro solar, a incidência de doenças de pele aumenta. Os riscos são diversos, pois a atmosfera já não oferece uma proteção eficaz aos raios que nos agridem e a nossa pele não dispõe de barreiras eficientes, além da sua própria reação natural como a produção de melanina.

Anatomicamente chamada de cútis, a pele tem como principal função revestir o corpo e protegê-lo de ações externas. Na epiderme, camada com profundidades diferentes de acordo com a região do corpo, existem ninhos de melanócitos que são conhecidos por produzirem a melanina.

A melanina é um pigmento castanho responsável por conferir pigmentação à pele, cabelo e olhos. A melanina cumpre um papel de defesa contra os efeitos dos raios ultravioleta, transformando a radiação em uma ativação dos melanócitos, pigmentando a pele. Ela se divide em duas classes: a eumelanina e feomelanina. A eumelanina é bem mais eficiente na proteção e é menos presente em pessoas de pele clara, ocasionando os cânceres de pele e comprovando a influência genética nesse quesito.

A queimadura solar é causada pelo excesso de exposição aos raios ultravioleta provenientes do sol. Seus sintomas incluem pele avermelhada e quente ao toque, bolhas, fraqueza, náusea, febre, sensação de ardor e leve tontura. A pele se torna vermelha em 2 a 6 horas após a exposição. A queimadura se desenvolve entre 24 e 72 horas e é seguida por uma escamação da pele e coceira que varia entre 3 a 8 dias.

A cura para a queimadura inclui processos lentos de recuperação. Para amenizar a dor: toalhas, banhos de água fria e cremes de pele específicos prescritos por um dermatologista. A queimadura solar é uma perigosa ameaça à vida, varia entre 1º e 2º grau e pode causar câncer. As peles mais escuras possuem uma variação mais concentrada de melanina na pele. Tal particularidade refere-se à proteção, pois a radiação não excede a capacidade natural protetora da pele, e a incidência de queimadura solar entre os indivíduos que possuem maior pigmentação é menor.

O Carcinoma basocelular é o tipo de doença de pele mais frequente, representando 70% dos casos. É bastante comum em pessoas acima de 40 anos com pele clara. É consequente da exposição solar inadequada que se acumulou na pele durante toda a vida.

Não causa metástase, mas pode destruir os tecidos próximos, principalmente entre olhos, nariz e orelha, chegando até em cartilagens e ossos. O crescimento do tumor é lento e aparece em diferentes locais do corpo como na cabeça e pescoço. O aparecimento dessa doença é mais presente em adultos do sexo masculino.

Já o Carcinoma espinocelular é o segundo tipo mais comum de doenças de pele. Dissemina-se por meio dos linfonodos e pode provocar metástase. Suas causas incluem a famosa exposição prolongada ao sol sem a devida proteção, tabagismo, exposição à substâncias químicas como arsênio e alcatrão e alterações na imunidade.

As lesões na pele são bem características no diagnóstico dessas doenças e suas curas incluem cirurgias ou tratamento químico. São doenças com mais chances de cura.

melanomaO câncer de pele de pior prognóstico, causado pela exposição indevida ao sol e outros determinantes como herança genética e contato com agentes químicos cancerígenos, é chamado de Melanoma maligno. Ele tem origem nos melanócitos e caracteriza-se por ser um tumor em estágio avançado que se dissemina para outros órgãos. Geralmente aparecem na pele, mas podem surgir também no olho, mucosas do esôfago e outros.

Como a melanina não protege de toda a radiação UV, é possível o aparecimento do câncer em regiões do corpo que não ficam expostas ao sol, mas que os raios penetram. O melanoma se apresenta como um sinal de coloração escura ou da cor da pele, que cresce rápido com bordas irregulares e com várias cores na mesma lesão. Não possui sintomas na fase inicial, mas desenvolve-se provocando, em alguns casos, irritações e pode surgir nas peles saudáveis ou nas com pigmentações pré-existentes.

As pessoas com histórico familiar de melanoma ou com peles muito claras na faixa dos 30-45 anos, devem procurar o dermatologista periodicamente. O tratamento para esse câncer em estágio inicial é feito por meio de cirurgia. Se o melanoma for encontrado em local profundo na epiderme, a remoção cirúrgica torna-se mais complicada. Em estágios mais avançados, é mais comum o tratamento com quimioterapias e imunomoduladores. A incidência da doença está aumentando no mundo e estudos recentes pretendem aperfeiçoar a técnica de manipular linfócitos atacados pelo câncer para conseguirem chegar a cura.

Há uma campanha específica na prevenção do câncer de pele realizada há 11 anos pela SBD (Associação Brasileira de Dermatologia). Esta campanha é voltada para o atendimento gratuito à população que comparece aos postos em dias específicos. Os médicos voluntários examinam, identificam as lesões suspeitas e encaminham para hospitais credenciados. Vários casos são diagnosticados em pessoas que nem imaginavam serem portadoras do câncer.

Outro ponto abordado pelos médicos membros da equipe SBD é a orientação da população sobre os cuidados preventivos do câncer de pele. Em 2010, ocorreu uma mobilização nacional no dia 27 de novembro e teve como um dos seus focos os estados do sul do país, local com habitantes mais propensos à doença por terem em sua maioria, pessoas de pele mais clara, geralmente ruivos com sardas ou loiros.